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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Mães coragem

"Mamã"

(Foto retirada da net)

 

 Pilar admirava aquelas mães ... muitas delas tinham perdido já vários filhos, uns vitimas da fome, outros de doenças, outros vítimas de balas disparadas ao acaso ... mesmo assim continuavam apesar de tudo a ter mais filhos, continuavam a ter esperança, lutavam todos os dias pela sobrevivência de cada um deles ... e apesar de tudo continuavam a sorrir, os seus olhos expressavam ternura ...  andavam kilometros e kilometros fugidas das suas aldeias, das suas casas para encontrarem um pouco de segurança nos campos de refugiados, muitas tinham deixado para trás os seus homens, os seus pertences, até os filhos mais velhos ... muitas tinham sido violados pelos inimigos, maltratadas ... e ali estavam ... corajosas ... olhando para o futuro ... como pode um coração de mãe e de mulher ser tão forte?

Pilar seguia como exemplo de vida essas mães coragem, quando se lamentava da sua vida, recordava-as e seguia em frente com um leve sorriso nos lábios!

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publicado por Ennoea às 15:30
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Sábado, 28 de Junho de 2008

O fantasma da guerra ...

Hard live...

(Retirada de nat)

 

 

Pilar sabia do que José António falava ... a guerra, as ameaças, os bombardeamentos, a fome, os refugiados, as crianças com fome, sede, traumatizadas, orfãos .... nunca mais esquecera aquele ano que tinha trabalho naquela Organização Não Governamental como voluntária. Viu muita pobreza, doença, fome, o ponto a que o homem chega para conseguir o poder, a riqueza ... não importa destruir cidades, matar milhares de seres humanos, crianças ficarem mutiladas ... o que importa isso? Interessa é defender uma ideologia, ter a ânsia do poder ... os outros seres humanos são apenas números ...

Estas atitudes dos líderes, dos homens do poder enojavam Pilar. Os alimentos que conseguiam eram sempre poucos, os medicamentos eram uma raridade, ela tinha visto como o instinto de sobrevivência era capaz de transformar os homens em animais quando distribuiam a alimentação ... uma criança tinha morrido nos seus braços ... jamais se esquecerá dela e por mais anos que vivesse essa recordação estaria sempre presente ...

Felizmente, Isabella tinha ficado na capital na sede da Organização, não tinha ido para o campo de refugiados ... quantas vezes Pilar pensava que a sua debilidade emocional após o desaparecido de Gabriel poder-se-ia ter agravado com estas vivências, apesar deste voluntariado ter sido opção de Isabella para fugir , Pilar tinha prometido à mãe da sua amiga acompanhá-la e assim o fez ...

Mas o fantasma da guerra acompanhava-a e quantas noites passava acordada a pensar naquela menina que tinha morrido nos seus braços porque não havia um antibiótico ...

O mundo é mesmo cruel ...

 

publicado por Ennoea às 23:07
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Memórias de uma Guerra

 

(imagem retirada da net)

 

 

Pilar andava com vontade de ler mais uma carta, mas tinha percebido que Isabella o evitava.
Por isso algumas semanas se passaram antes que as duas amigas voltassem a mexer no tesouro, que tinham encontrado por acaso.
Uma caixa de cartão, cheia de vida, de emoções, de amor,desamor, felicidade, encontros e desencontros, traições e juras de amor eterno.
Isabella, também pensava varias vezes nas cartas, e uma noite, enquanto contavam a semana de trabalho uma á outra disse a Pilar:
- O que achas que devíamos fazer com estas cartas?
- Não sei, também tenho pensado nisso…
- Queres ler mais uma?
- Se prometeres que não choras, não gosto nada de te ver assim.. – respondeu Pilar a Isabella.

- Vou tentar.


Isabella abriu mais uma vez a caixa, os seus olhos brilharam, e o nervoso miudinho tomou conta dela.
Que iriam encontrar desta vez?
Enfiou a mão dentro da caixa, e teve uma surpresa:
- Pilar, nem acredito nisto que estou a ver…
- Então?
Isabella esticou a carta em direcção a amiga, era um envelope muito antigo, com selos de outro pais, cheirava a morte…sangue…guerra.
- Não é o que eu estou a pensar pois não??? – questionou Pilar.
- Acho que é, deixa-me ler...

 

  

Estimada  Maria da Luz.

 

Muito agradeço por me ter respondido, e acedido ao meu pedido de ser minha Madrinha...

Escrevo esta carta com o coração nas mãos... Por estes dias escapei por pouco a morte…
O nosso batalhão dirigia-se para fora do acampamento, quando sentimos que estávamos a cair numa emboscada.

Começaram a chover balas de todo o lado, o acampamento foi todo cercado, por nativos que não hesitavam em avançar a medida que íamos ficando mais fracos....
O barulho de tiroteio, as granadas, alguns gritos, um cheiro a morte terrível, a cada passo que dávamos deparamo-nos com alguém que nos era próximo, caído no meio do chão, senti-me impotente, só penso em sair daqui, pois sei que é quase certo ter o mesmo fim dos meus camaradas....
É impossível para mim descrever todo este ambiente, qualquer descrição que fizesse, não seria metade, do que realmente aqui se passa, é terrível...
Por favor, se receber esta carta, diga aos meus pais que por ora estou bem…
Se algum dia voltar ao meu pais, gostaria de a conhecer....
Obrigada pela sua amizade.


José António.


Pilar e Isabella ficaram apreensivas, sempre ouviram falar nas madrinhas de guerra, mas julgavam que era uma troca de cartas amorosas, entre soldados e raparigas solteiras...
Ali estava um relato vivo de uma guerra, que em tempos havia acontecido, cuja carta sobrevivera o tempo suficiente para ser encontrada por elas.

 

publicado por Raquel às 03:30
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